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Fiscalizações nos Preços de Transferência

Na era da globalização, os Grupos Econômicos não operam mais só localmente, mas também internacionalmente, enfrentando assim desafios fiscais significativos em várias jurisdições.

Na era da globalização, os Grupos Econômicos não operam mais só localmente, mas também internacionalmente, enfrentando assim desafios fiscais significativos em várias jurisdições. Assim, as fiscalizações nos Preços de Transferência tornaram-se um elemento essencial da fiscalidade internacional, já que as Administrações Tributárias de todo o mundo visam garantir que as empresas multinacionais paguem impostos justos em cada jurisdição em que operam.

Consequentemente, a má administração dos Preços de Transferência pode levar a sanções financeiras e disputas caras.

Portanto, explicaremos aqui a importância das fiscalizações nos Preços de Transferência, o procedimento que as Administrações Tributárias empregam para determinar o perfil de risco do contribuinte a auditar-se, o progresso das fiscalizações nos Preços de Transferência, a função do  relatório país por país num processo de fiscalização e a preparação e abordagem eficaz das empresas para as fiscalizações nos Preços de Transferência.

Começaremos com perguntas simples como base para compreender um assunto tão complexo e interessante:

1. O que é a fiscalização?

As administrações tributárias podem determinar a correta obrigação tributária e fiscalizar a veracidade da informação declarada pelos contribuintes.

2. O que são os Preços de Transferência?

Os Preços de Transferência referem-se aos preços cobrados por transações entre partes relacionadas num Grupo Econômico. Essas transações podem incluir a venda de produtos, o fornecimento de serviços, a concessão de licenças de propriedade intangível ou qualquer outro tipo de transação comercial. Esses preços devem ser comparáveis aos preços cobrados entre empresas não relacionadas (Princípio do Comprimento de Braço).

3. Determinação do perfil de risco para os contribuintes a se auditar

  1. Por meio da avaliação de risco:
    • Avaliação das fontes estruturadas e não estruturadas de informação.
    • Avaliação das transações sensíveis registradas pelos contribuintes, como pagamentos ao exterior e serviços intragrupo.
    • Análise da metodologia empregada pelos contribuintes. Por exemplo, uma mudança na metodologia em função dos resultados da rentabilidade da empresa é um sinal de alerta para as Administrações Tributárias.
    • Análise da origem e do destino dos bens. Para identificar as triangulações registradas principalmente pelos comerciantes.
    • Avaliação da cadeia do valor: considera o tipo de atividade registrada pela empresa e a sua fase atual para analisar a necessidade dos serviços recebidos.
  2. As Administrações Tributárias têm as suas matrizes de indicadores (Scoring), as quais as principais são:
    • Resultados menores para o setor: avaliam índices financeiros e gerenciais, taxas de ativos e outros.
    • Materialidade: Potencial imposto evadido.
    • Recorrência: Não deve haver outras fiscalizações em andamento.

 

4. Progresso das fiscalizações nos Preços de Transferência

Conforme declarado por Clara Inés Ramírez, subdiretora da DIAN (Dirección de Impuestos y Aduanas Nacionales — Direção de Impostos e Alfândegas Nacionais), na sua participação no Fórum Virtual: “Perspetivas e Tendências em Tributação Internacional”, o progresso nas fiscalizações de Preços de Transferência na Colômbia passou do cumprimento de obrigações formais para auditorias substantivas.

As recentes decisões dos tribunais superiores colombianos envolvem uma visão abrangente sobre os Preços de Transferência e enfocam especialmente nos meios probatórios tanto por parte do contribuinte na sua fase de defesa sobre a argumentação da metodologia aplicada e a informação fornecida à Administração Tributária quanto por parte desta última quando discorda do estudo inicialmente apresentado pelo contribuinte ou pretende controvertê-lo.

A Administração Tributária da Colômbia visa a promover outras ferramentas de solução para controvérsias apresentadas nos processos de fiscalização, tais como:

  • Promoção de uma maior implementação de APA (Advance Pricing Agreements — Acordos Prévios de Preços),
  • Participação do ICAP (International Compliance Assurance Programme — Programa Internacional de Garantia de Conformidade),
  • Implementação do MAP (Mutual Agreement Procedure — Procedimento de Acordo Mútuo), onde se analisam discussões que afetam algumas das controvérsias que a Administração Tributária colombiana teve com os contribuintes.

5. Principais pontos de interesse para a ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA colombiana

  • Atividades de distribuição.
  • Operações de mercadorias de matéria-prima: os setores de hidrocarbonetos e mineração são muito importantes para a Administração Tributária colombiana, especialmente o método do preço comparável não controlado (PCNC) ou o descarte do mesmo para implementar metodologias baseadas na rentabilidade.
  • Análise da cadeia de suprimentos para a implementação do método PCNC.
  • A participação na cadeia de suprimentos das partes relacionadas, especialmente aquelas localizadas em jurisdições não cooperantes com baixa ou nenhuma tributação.
  • Identificação de práticas prejudiciais: para identificar os casos em que a Administração Tributária lida com uma recaracterização da transação, determinação de uma nova margem ou comparabilidade, ou abuso em questões tributárias, que teriam um procedimento específico.

6. Funções do relatório país por país nos processos de fiscalização

reporte país por país não é um relatório para fiscalizações, mas para medir riscos. Por outro lado, de acordo com Fernando Becerra, gerente de fiscalidade internacional e Preços de Transferência da SUNAT (Superintendencia Nacional de Aduanas y de Administración Tributaria — Superintendência Nacional de Alfândegas e Administração Tributária), na sua participação no Fórum Virtual: “Perspetivas e Tendências em Tributação Internacional”, poderá servir de insumo para que as fiscalizações da Administração Tributária corroborem a hipótese, além de permitir a ativação de mecanismos de troca de informação.

7. Preparação e abordagem eficaz das empresas para fiscalizações nos Preços de Transferência

Uma gestão adequada dos Preços de Transferência pode reduzir as contingências diante de eventuais fiscalizações que poderiam resultar em sanções financeiras e litígios caros, longos e tediosos contra as Autoridades Tributárias.

A preparação preventiva e oportuna pode realizar-se a partir de duas facetas como complementares: gestão interna com assessoria externa.

  • Revisão constante da caixa postal eletrônica para advertir sobre possíveis notificações das Administrações Tributárias a tempo, já que a detecção oportuna permitirá solicitações de prorrogação, no caso de prazos curtos.
  • Identificação e caracterização adequada dos serviços fornecidos entre empresas. Da mesma forma, a identificação de transações significativas com territórios não cooperantes de baixa ou nenhuma tributação.
  • Especialmente para operações materiais, buscar assessoria externa sobre a margem de lucros proposta a se cobrar, de acordo com a faixa do mercado.
  • As transações de financiamento entre empresas devem ser monitoradas juntamente com assessoria externa, permitindo a avaliação das taxas do mercado a se considerar em cada contrato, conforme as características especiais de cada caso.
  • Cumprimento oportuno da apresentação dos relatórios requeridos pelas Administrações Tributárias no âmbito dos regulamentos dos Preços de Transferência: relatório local ou estudo técnico de Preços de Transferência, arquivo mestre e relatório país por país.
  • A informação financeira segmentada por cada operação declarada deve ter o suporte dos critérios de seleção de drivers utilizados para a alocação correta de custos e despesas, refletindo a operatividade da transação.
  • Para o caso peruano, devem ter a documentação que comprove a conformidade com o teste de lucro.
  • Elaboração de uma matriz de risco que identifique casos prováveis, possíveis e remotos.
  • Geração de pastas de suporte que permitam a acreditação, a necessidade e a oportunidade das despesas incorridas por serviços recebidos de partes relacionadas (contratos, adendos, relatórios, avaliações, documentos de fixação de preços e/ou tarifas, etc.).
  • Monitoramento de perdas recorrentes ao nível operacional e pesquisa de suporte que as expliquem.
  • Monitoramento de projeções tributárias entre empresas.
  • Mudanças na metodologia selecionada.
  • Pagamentos por serviços ao exterior.
  • Identificação da cadeia de suprimentos e da cadeia do valor por linha de negócio.
  • Estabelecimento de políticas dos Preços de Transferência ao nível de Grupo.
  • Apoio ativo e colaborativo das empresas-mãe com relação aos requerimentos de informação das suas partes relacionadas.

 

As fiscalizações nos Preços de Transferência desempenham um papel crucial na inspeção das transações internacionais das empresas multinacionais pelas autoridades fiscais. Elas garantem a equidade tributária, a transparência e o cumprimento por parte dos contribuintes. Assim, as empresas devem estar preparadas e manter registros precisos e documentação adequada para cumprir as regulamentações fiscais e evitar sanções. A cooperação e a consulta com especialistas nos Preços de Transferência são essenciais para cumprir satisfatoriamente essas regulamentações em evolução constante e garantir a integridade das transações internacionais da empresa.

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